26.9.11

Temporal

Dói, eu sei que dói. Agora, infelizmente, você também sabe. Na verdade, todos que passam por isso descobrem e, bem, eu não queria ser o primeiro a te falar, mas vai demorar a passar. Muito tempo. Talvez semanas ou meses, mas, acredite, passa. Você vai sentir vontade de se trancar num quarto e se exilar do mundo, ou vai querer comer tudo aquilo que está na geladeira tentando preencher o vazio com alguma coisa sólida, mas, sinceramente? Não adianta. Nunca adianta.

Talvez você tenha amigos. Sim, alguns verdadeiros. Eles te levarão pra sair, conhecer gente nova, esquecer o passado e, mesmo contra a sua vontade, você vai aceitar. Só que, mesmo junto a eles e num lugar animado, você não vai deixar de pensar. Porque não quer ou, simplesmente, porque não consegue. Acontece que pra deixar tudo pra trás você precisa realmente querer. De verdade. Difícil, não é? Por isso eu digo que demora.

Pode ser que você engorde. Ou emagreça. Ou nada disso. Algumas pessoas arranjam novos hobbies pra passar o tempo que antes era gasto junto e essa é uma boa ideia das poucas que posso dar. Talvez você descubra que tem vocação para a pintura ou escrita ou, melhor ainda, entre para alguma faculdade ou organização não governamental. Nessa hora é muito bom ajudar os outros porque, de alguma forma, você ajuda a si mesmo.

Parece mentira, mas não existe uma fórmula medicinal para esquecer, assim como existe pomada pra curar alergia ou comprimido analgésico. Quando a dor é lá dentro, a medicina é dispensável. Por isso, nada de ficar tomando coisas pensando que podem ajudar porque, nessas horas, o melhor remédio é se entender.

Eu sei que você vai querer se jogar de uma ponte ou pular na frente de um carro, mas, segure-se, são apenas vontades e, assim como a sensação de dor, elas passam. Chega uma hora em que a ânsia dá lugar à indiferença e você volta a respirar normalmente, sem apertos, sem soluços, sem dor. Você vai se encontrar, se encantar, se apaixonar novamente. Acredite em mim, uma hora passa.

9 comentários:

Priscila disse...

Uma hora sempre passa. Para alguns é rápido, para outros chega a ser uma eternidade (aka eu). Mas passa, sempre passa e ninguém morre por conta disso (se nem eu morri até hj após a última facada pelas costas).
bjo grande!

Taffarel Brant disse...

beijo, Pri.

Taíssi Alessandra disse...

Tudo o que escreveste é a mais pura verdade. Geralmente demora, mas tenha certeza de que passa.

Beijão!

Taffarel Brant disse...

Uma hora passa. Sempre passa...
Bjo, Taíssi.

Bruno Batiston disse...

Diante das minhas tantas ausências e atrasos e fugas (de mim mesmo, inclusive), eu tinha era que ter vergonha de dizer qualquer coisa aqui, mas... Obrigado por ter escrito isso.

Bruno Batiston disse...

Releio e releio... Eu queria grifar cada palavra, uma a uma, porque estão todas colocadas em lugares que me parecem tão, tão, tão certos, de uma maneira invejavelmente simples, crua, nua. De novo, muito obrigado por ter escrito isso, é tudo que eu penso, como quem fecha um livro bom e se sente o melhor amigo do autor. Eu me senti abraçado e, para mim, literatura é isso: esse abraço.

Taffarel Brant disse...

Ah, Bruno. Que bom que o meu texto fez bem pra você. Sinta-se realmente abraçado. Um abraço amigo, apertado, cheio de afeto.

:)

Camila Souza disse...

Gostaria muito de ter lido esse texto antes de passar por tudo o que ele descreve... rs
Não há nada como a opinião de quem já passou e entendo do assunto!
(;

Taffarel Brant disse...

É verdade, Camila. Quando a gente passa por isso consegue dizer exatamente como funciona.