30.8.11

Em defesa do cinza

As pessoas se espantam quando digo que prefiro dias nublados. “Mas, como assim? Como você pode gostar de um dia tão frio e feio?” Sinceramente? Não o vejo assim. Na verdade não sei de onde veio toda essa história de que para um dia ser bonito, precisa ser ensolarado. Existe algum órgão regulamentador da beleza dos dias ou Instituto Nacional de Qualidade Diurna? Bem, não tenho ciência, portanto, considero o fato de apreciar o nublado como algo peculiar meu.

Não gosto de calor, logo, não gosto de ficar debaixo do Sol. É claro que sei que existe uma série de pontos positivos nos raios ultravioleta, mas não consigo me sentir confortável estendido e imóvel numa cadeira enquanto praticamente me derreto à mercê do calor escaldante do Brasil. A sombra é mais amena, confortável; sem falar que quando não me submeto ao sol acabo me prevenindo de algum bronzeado de pedreiro ou, quem sabe, um câncer de pele.

O fato é que o nublado me traz paz. Acordar, abrir as janelas e sentir aquela brisa, nem amena, nem fria, que é característica de um dia assim. Olhar pra cima e observar aquele chapado cinza, claro ou escuro, tanto faz, contanto que haja um ar convidativo. Dias cinzas pra mim não são sinônimo de melancolia, mas de muito bom humor. Sempre estou sorrindo, brincalhão e leve. Oposto dos dias quentes, quando me encontro numa pilha de nervos e uma simples reunião se torna um martírio sudoríparo, onde todos lá estão visivelmente desconfortáveis em suas roupas quentes.

Calor me incomoda porque não cessa. Se você está suando, não há muito que fazer para combater isso. No trabalho é mais complicado ainda porque você não pode simplesmente tirar as roupas, coisa que, em casa, tornou-se regra desde que me mudei pra cá, embora não adiante por muito tempo também. Você sente calor, fica nu e o calor continua. Toma um banho, sente-se confortável por cinco minutos até a sudorese recomeçar. No frio não... é tudo mais fácil. Se estivermos congelando, mais um moletom e pronto: tudo resolvido. Na hora de dormir é a mesma coisa, o calor corporal do outro é sempre bem-vindo, contrariando as noites quentes que afastam, inclusive, o romantismo de uma simples conchinha entre casais.

Não tenho nada contra o Sol em particular. Só gostaria que ele fizesse um acordo com as nuvens para que tivéssemos um clima temperado o suficiente para agradar a todos. Não seria perfeito? Só que, com todas essas mudanças climáticas e loucuras meteorológicas, duvido que algum dia aconteça um fato desse naipe. Na verdade, prefiro acreditar que um dia ainda vou abrir a janela pela manhã e me deparar com um chapadão cinza e um clima mais gelado que o normal pra estes lados de cá, pois ontem olhei na Internet e vi que uma nova frente fria está a caminho e, sonho ou não, quem sabe eu não acorde pela manhã e me depare, assim, como quem não quer nada, com neve? Vindo de um profundo admirador da geada, pode acreditar: eu adoraria.

4 comentários:

Taíssi Alessandra disse...

Se tu gosta mesmo de cinza vem passar o inverno aqui no sul, tem cor nenhuma, quero ver se tu não enjoa. hehehe

Beijocas querido.

P.S.: gostei da fotinho nova no perfil :)

Taffarel Brant disse...

Posso ir mesmo? Olha que já deixo até as malas prontas, tamanha ansiedade!

Beijo!

Rafael Freitas disse...

E não é que me lembro de você em dias nublados?

Ah, mas não só neles, claro.

Taffarel Brant disse...

Nhoin. Saudade sempre, ráfa.