10.6.11

Rotas celestes

Certa vez eu li que quando observamos o céu durante a noite, nos deparamos com diversas estrelas que, embora brilhantes, há muito já devem ter se extinguido. Na verdade o que vemos são resquícios de um brilho que percorreu centenas de anos-luz para chegar até aqui e conseguir contribuir com o nosso tão simples, porém notável, costume de observar as estrelas.

Alguns corpos celestes são ariscos. Movimentam-se com pressa e duram o suficiente até que você os enxergue e faça um pedido. São chamados de cadentes, mas não porque querem acabar logo com aquilo e se espatifar numa superfície qualquer; imagino que corram porque queiram matar a saudade de algo, ou de alguém em especial.

Saudade a gente não controla e, às vezes, fica forte. Quando se tem saudade de um ente, por exemplo, o coração palpita demais. Amigos ou ex-namorados também caem na mesma casa, mas, acredite, dores de perdas daquilo que não se pôde modificar sempre machucam um tanto além. E com alguém que se vai de uma forma abrupta e fora de controle, também.

Eram cinco horas da manhã quando eu soube e, depois disso, não consegui mais fechar os olhos. Abri a janela e vi que ainda estava escuro, então olhei pro céu e, lá de cima, uma estrela piscou pra mim. Imagino que eu saiba exatamente de quem se trata, porque há pouco tempo uma delas acabou de ascender: a minha avó. Despediu-se sem me dar o abraço que havia prometido, mas eu entendo, não teve culpa, apenas terminou por aqui tudo aquilo que havia começado. 

Eu não penso que se foi completamente, mas virou uma estrela. Daquelas tímidas, porém destacáveis. Minha avó foi feita de matéria resistente, pra permanecer, tal qual seu nome: Perpétua; de presença eterna, mesmo quando distante. Também acredito que toda vez que olhar lá pra cima, terei, junto ao brilho de tantas outras, sua luz irradiando bênçãos sobre mim. E se agora eu choro, é porque a dor existe, mas não há uma forma mais fácil de se despedir, pelo menos, não pra mim.

O que fica sou eu, mas não sozinho, nós. Aqui, do lado de cá, sem pestanejar. Observando, sempre que bater a saudade, o brilho da minha estrela mais linda, e não somente minha, da nossa estrela Perpétua.

12 comentários:

Helô disse...

Taffa!!! Que coisa mais linda! As estrelas são sempre pessoas queridas. Gosto de pensar assim.

Taffarel Brant disse...

Também gosto, Helô.
Um beijo.

Laura Reis disse...

que bonito.

Marina Mendes disse...

que lindo!

minha avó faleceu há duas semanas, sei exatamente isto que você sentiu ao escrever este texto.

Taffarel Brant disse...

<3

Camila Souza disse...

Posso te dar um abraço com palavras?
Então silencia...
Sente...
Guarda.

Que todas essas coisas lindas que leio em você, PERPETUEM-SE. Fica bem!

Taíssi Alessandra disse...

Gente, escrevi algo sobre isso muito tempo atrás e fui procurar no arquivo do meu blog pra te mostrar
http://foradepoca.blogspot.com/2009/08/quando-tinha-quase-3-anos-deus-levou.html

Sem mais o que dizer, tocante.

Taffarel Brant disse...

Quero o abraço sim, Camila.

Lindo, Taissi.

Beijos.

Sr.Apêndice disse...

Belo texto cara. Sinto pela tua perda. Ao menos, sabes que agora ao olhar para o céu, uma estrela também te olharás.

Abraço

Taffarel Brant disse...

Obrigado, Sr. Apêndice.
Abraço.

Rosana Tibúrcio disse...

Por que eu não li isso? Onde eu tava?
Dê cá um abraço!!!

Taffarel Brant disse...

**uupaaaa**