27.4.11

À medida que...

...o tempo passava e os cabelos e a barba cresciam, a grama tomava conta do passeio que ele atravessava todos os dias. Era uma rotina, um mesmo caminho. Algo que se repetia todas as manhãs e finais de tarde.

Só não havia reparado no quanto as sombras eram interessantes e conhecidas. Muretas, grades, cercas vivas, todas se uniam e formavam um chapado escuro que desenhava nas paredes das casas uma linha divisória entre os raios que emanavam do nascer e pôr do Sol.

Equilibrava-se entre a calçada e a rua, entre o juízo e o desatino, de cabeça baixa e medindo os passos enquanto analisava um terreno que só agora mostrava seus nem tão novos detalhes, mas que pra ele representavam uma novidade; um tipo de descoberta.

Sentiu a presença de alguém, diminuiu o passo. Levantou os olhos e deparou-se com outros, já conhecidos, que sem qualquer tipo de cerimônia o analisaram da cabeça aos pés. Com um movimento de olhar, fez um convite. Com um sorriso, sentiu-se permitido.

Aproximaram-se, deram as mãos, em silêncio, em sintonia, num final de tarde que há tempos não era preenchido por tantos detalhes que nem uma eternidade ou outras seriam capazes de relatar.

4 comentários:

Taíssi Alessandra disse...

Senti também.
A propósito, eu jurava que a coluna lateral estava do outro lado da última vez que passei por aqui.

Taffarel Brant disse...

Era do outro lado, rs.
Mudanças de layout, a gente vê por aqui. kkk

Helô disse...

Mais um texto delicioso de ser lido. Adoro visitar você. Beijo

Taffarel Brant disse...

Beijo, helô!